Workshop sobre PANC valoriza biodiversidade

Quantas vezes você  jogou fora aquela planta que mais parecia um mato ou erva daninha, sem imaginar que ali estaria uma poderosa fonte de vitaminas e proteínas, e ainda por cima, comestível? Pois saiba que você pode estar diante de uma Panc, planta alimentícia não convencional, o que muitos nutricionistas consideram o alimento do futuro.

Alunas da Ufscar ministram parte teórica do curso

Neste sábado, 8 de fevereiro, associados do residencial Porta do Sol aprenderam a identificar algumas dessas plantas ao participar do workshop organizado pelo diretor de meio ambiente da Apaps, Gabriel Bitencourt, e ministrado pelas estudantes de Engenharia Florestal da Ufscar, Larissa Rocha e Jaqueline Almeida.

 Ômega 3 e proteína

O curso teve duração de 2h30 minutos. Na primeira parte do evento, os participantes assistiram à parte teórica. Em seguida, o grupo saiu para um passeio até o Viveiro de Mudas da Porta do Sol, reconhecendo e experimentando algumas espécies de Pancs pelo caminho.

Participantes conheceram e fotografaram as Pancs do Viveiro

Ao final, todos puderam levar mudas para plantar em casa. Entre elas, a ora pro nobis, conhecida como “a carne dos pobres”, devido à sua alta concentração de proteína, almeirão roxo, manjericão, carqueja e peixinho, essa última riquíssima em ômega 3, cujo formato e sabor impressionam pela semelhança com peixe.

Definição e cuidados ao consumir

Para ser considerada uma PANC, a planta deve ter crescimento espontâneo e não fazer parte do cotidiano de alimentação das pessoas. Esses critérios fazem, por exemplo, com que a pitanga seja considerada PANC numa região do Brasil, mas não em outra. “Há muitas vantagens no cultivo e consumo de PANCs”, relata a pesquisadora Larissa Rocha, “seu cultivo não faz uso de agrotóxicos, são ricas em nutrientes e de baixo valor econômico, o que poderia, sem exageros, funcionar como uma fonte de combate à miséria e desnutrição no Brasil”.

“Devemos, no entanto, tomar alguns cuidados ao consumí-las”, complementa Jacqueline Almeida, estudante da Ufscar. “É preciso conhecer a espécie, pois algumas podem ser venenosas, e certificar-se de que o local onde cresceu é higiênico”.

Estima-se que o Brasil possua de 8 a 10 mil espécies de plantas comestíveis catalogadas, mas apenas 300 delas são consumidas atualmente.

A Panc “peixinho” é riquíssima em ômega 3

Projeto da Apaps

O curso de PANC integra o  projeto de revitalização do Viveiro de Mudas da Porta do Sol, desenvolvido em parceria com o Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e gerenciado pelo diretor de Meio Ambiente da Apaps, Gabriel Bitencourt. Desde o início, a revitalização foi acompanhada pelas alunas e pesquisadoras que ministraram o curso de Panc.

De acordo com Gabriel Bitencourt , “A Porta do Sol está dentro de uma grande área ambientalmente preservada e mais do que nunca é fundamental conhecer a biodiversidade local para a conscientização, valorização e preservação desse lugar tão rico. Todas nossas ações através da diretoria de meio ambiente caminham nesse sentido”.

Por Marília Prétola

 

COMENTÁRIOS