Porta do Sol possui um levantamento de sua fauna – Residencial Porta do Sol

Porta do Sol possui um levantamento de sua fauna

Estudo foi realizado em 2013 e é ferramenta utilizada para a conservação, manejo e monitoramento ambiental

Levantamentos ou inventários de fauna são estudos técnicos na área de zoologia que visam identificar a diversidade de espécies animais ocorrentes em uma área e em um período. Eles caracterizam e avaliam o estado de conservação da biodiversidade e interações ecológicas que suportam as espécies.

Para fazer uma amostragem das espécies que habitam uma determinada área, em um certo período, são utilizadas técnicas que variam conforme o objetivo do estudo, que pode incluir todas a espécies existentes no local, separadas por grupos, ou analisar apenas um tipo específico.

Pontos do Residencial onde foram colocadas as câmeras para o levantamento

A ictiofauna, por exemplo, estuda o conjunto de peixes, a herpetofauna, os anfíbios e répteis, a avifauna, as aves, e a mastofauna, os mamíferos de médio e grande porte. As informações sobre as espécies levam em conta as evidências diretas (quando o pesquisador visualiza/ouve o animal) ou indiretas (analisando vestígios ou através do uso de equipamentos como armadilhas fotográficas por meio de sensor de presença diurno ou sensores infravermelhos para fotos noturnas).

Câmeras fotográficas instaladas em campo

No Brasil, esses levantamentos são requeridos nos licenciamentos ambientais (para empreendimentos de maior porte e atividades que causam degradação ambiental), supressão de vegetação, no Estudo Ambiental Simplificado (EAS), nos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e seus relatórios (RIMA – Relatório de Impacto ambiental).

Porta do Sol

O conhecimento sobre a fauna silvestre é ferramenta indispensável para a conservação, manejo e monitoramento ambiental. Talvez os associados mais novos não saibam, mas a Porta do Sol possui um levantamento da fauna existente em nosso território. O estudo foi encomendado pela própria Apaps, em 2013, ao responsável técnico Luciano Mendes Castanho, e os resultados saíram em 2014.

Em 2013 o Residencial passou a ser uma Área de Especial Interesse Paisagístico e Ambiental, de acordo com a lei de nº 3020, de 5 de julho deste ano, aprovada na Câmara Municipal de Mairinque, trazendo mais proteção aos 16 milhões de metros quadrados que compreendem a Porta do Sol.

O objetivo da pesquisa foi inventariar os tipos de vertebrados existentes no território porta-solense, mais especificamente da herpetofauna, avifauna e mastofauna de médio porte de espécies não voadoras. Antes dela havia apenas dois estudos de trabalho de conclusão de curso em ciências biológicas e um levantamento de fauna visando a supressão e vegetação de um lote.

Cachorros-do-mato

Resultados

De acordo com a pesquisa, a Porta do Sol está inserida numa Bacia Hidrográfica do Tietê / Sorocaba. “A vegetação local encontra-se no ecótono entre as fisionomias Ombrófila Densa, Cerrado e Estacional Semidecidual”, diz o estudo, que ainda acrescenta que “o Residencial apresenta uma grande extensão de cobertura florestal nativa interconectada ao longo da rede de drenagem”.

Essa interconexão de remanescentes florestais por corredores ecológicos provavelmente permite a ocorrência de espécies silvestres de vertebrados que não sobreviveriam em fragmentos florestais isolados.

Perereca da espécie Scinax fuscovarius

Com relação à herpetofauna, foram registrados apenas dez tipos de anfíbios anuros (que não possuem cauda) em função a forte estiagem que afetou a região na época, o que dificultou a formação de poças temporárias utilizadas por grupos particulares desse grupo. Neste caso vale citar a Scinax fuscovarius, perereca encontrada muito comumente na beira das piscinas dos associados. No grupo acima também foram constatadas as presenças do cágado-de-barbelas, na Captação II, o lagarto bico-doce, o teiú e a jararaca.

Jararaca

Já no quesito mastofauna, foram captadas imagens, através de armadilhas fotográficas, de 16 espécies de mamíferos silvestres de médio porte, como irara, tapiti, cachorro-do-mato, capivara, quati, ouriço-cacheiro, mão-pelada, paca, lobo-guará e gato-do-mato-pequeno (esses dois últimos considerados ameaçados de extinção).

Por fim, os registros da avifauna apontaram 138 espécies, número hoje já superado pelo levantamento informal feito pelo COAPS (Clube de Observadores de Pássaros da Porta do Sol), que em 2020 atingiu a marca de 175 espécies avistadas em território porta-solense.

cágado-de-barbelas

Além das espécies registradas no estudo, temos relatos de outras já avistadas na área do Residencial, como por exemplo a onça parda. Essa ausência pode ser explicada em alguns pontos da metodologia utilizada, como período do ano, pontos de coleta e tempo de estudo. No entanto, Maurício Sanches, biólogo da Apaps, acrescenta que “só conseguimos ter a dimensão ecológica de uma área a partir de levantamentos como o descrito acima. Eles nos ajudam em estratégias de mitigação e fornecem a dimensão dos impactos ambientais causados no decorrer do tempo. Novos estudos devem ser propostos no futuro, complementando esse e abrangendo flora, ictiofauna e também invertebrados”.

Por Marília Heymer 

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