Saiba como reaproveitar água e material orgânico

Na natureza, nada se perde, tudo se reaproveita. O ditado, apesar de antigo, está cada vez mais em voga na sociedade contemporânea, ávida por uma nova forma de lidar com os recursos oferecidos pelo planeta Terra.

O consumo excessivo das ofertas naturais atrelado à enorme produção de dejetos, à medida que se mostra inviável, tem feito a humanidade repensar suas atitudes.

Na Porta do Sol este pensamento ganha cada vez mais espaço, com destaque para iniciativas particulares de associados e também da própria equipe da Apaps. A busca por alternativas de consumo renovável pode ser mais simples e eficiente do que se supõe.

Sistema armazena água das chuvas nos banheiros da Praça do Sol

“Um sistema caseiro de captação de água das chuvas custa, em média, cerca de 20% do valor da construção de um poço artesiano tubular profundo e rende uma quantidade razoável para a manutenção de uma chácara, por exemplo”, afirma Paulo Henrique, gerente do Departamento de Água do Residencial.

Bombas levam a água armazenada em baixo para as descargas

Paulo foi um dos idealizadores, junto com o corpo técnico da Apaps, de um sistema que capta e reaproveita água das chuvas nos banheiros da recém inaugurada Praça do Sol. O estilo arquitetônico da obra, em forma de caixote, favorece por si só o método ecológico devido à ausência de telhado e a equipe só precisou “esconder” os reservatórios de armazenagem para não poluir visualmente o local.

O telhado embutido deste tipo de construção faz com que a água escorra, por gravidade, por canos internos e chegue às cisternas localizadas no nível abaixo dele, sem a necessidade de calhas, como em telhados comuns.  A água passa por um “cata-folhas” antes de chegar ao reservatório pra que os canos não entupam e é destinada exclusivamente para o uso das descargas, pois é uma água bruta e não potável. Uma bomba de supressão instalada atrás do banheiro faz a água sair do reservatório e chegar à descarga. O líquido que chega às torneiras vem de outro reservatório de água tratada, não das chuvas.

Tipo de construção, em forma de caixote, favorece armazenamento de água das chuvas

A solução da equipe para não deixar o sistema de captação pluvial exposto foi enterrar os reservatórios. Quem passa por ali nem imagina que há uma caixa de 10 mil litros guardando água que precipita do céu e que pode ser muito útil em épocas de estiagem. Essa quantidade é suficiente para encher as caixas das descargas dos dois banheiros por uma semana.

Modelos

Para instalar o sistema de captação de água pluvial no Clube a equipe técnica da Apaps se inspirou em iniciativas particulares de moradores da Porta do Sol. O Diretor Financeiro da Apaps, Luiz Bazaga, foi um dos exemplos analisados. Ele possui um sistema inteligente de armazenagem, também enterrado, que faz com que todos os banheiros da residência sejam abastecidos com a água das chuvas. Apenas as torneiras de consumo humano recebem água da rua.

Sistema também pode ser aplicado em telhados comuns

Outro modelo desenvolvido dentro do Residencial que merece destaque é o adotado pelo morador e engenheiro Walter Ortega. Boa parte da água utilizada no viveiro de peixes, assim como na piscina, provém do sistema de captação das águas das chuvas, criado por ele. O precioso líquido que escorre do telhadoda residência é todo armazenado em um reservatório de 5 mil litros e serve, também, para regar a horta, lavar o quintal e, até, para beber.

O engenheiro Walter Ortega criou seu próprio sistema doméstico para reaproveitar água

Biodigestor

Com foco na sustentabilidade, o Departamento de Meio Ambiente tem investido desde 2018 em palestras e workshops sobre temas fundamentais para a conservação dos recursos naturais do Residencial e, ao mesmo tempo, na melhoria da qualidade de vida dos porta-solenses.  Em setembro de 2019, ainda sob a direção do professor e ambientalista Gabriel Bitencourt, o departamento promoveu o workshop sobre sistemas de armazenamento de águas pluviais por meio de caixas e cisternas e sobre biodigestor.

Técnicos da Hidráulica Tropeiro falaram sobre modelos de armazenagem da água da chuva. O tema “biodigestor” também foi abordado. Os participantes receberam informações a respeito das fossas biodigestoras, que já existem no Residencial e são uma alternativa eficiente e de baixo custo para tratar o esgoto doméstico e substituir as fossas negras, que podem contaminar o lençol freático.

Como explica o gerente de Planejamento, “a fossa biodigestora atenua a agressividade das águas servidas, pois funciona de modo anaeróbico, ou seja, através de fermentação do material orgânico ali depositado”.

Modelo de fossa biodigestora indicada para o Residencial

Neste processo ocorre a biodigestão da matéria orgânica sobrando apenas o lodo e o líquido. No caso das biodigestoras, que são basicamente caixas impermeáveis para receber o esgoto, “há também a vantagem de vida útil de 20 anos, em média”, ressalta o técnico, “o que acaba viabilizando o investimento financeiro da obra, além do impacto ambiental, claro”.

Soluções como a armazenamento de água pluvial e biodigestores mostram que a resposta para a boa convivência com o meio ambiente está mais próxima do que muitas vezes supomos. Não é preciso grandes investimentos. Bastam boa vontade, pesquisa e mãos à obra.

Por Marília Prétola

 

 

 

 

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