Aprenda mais sobre as plantas epífitas – Residencial Porta do Sol

Aprenda mais sobre as plantas epífitas

Bromélias e orquídeas pertencem à essa espécie, por isso vão bem sobre o tronco das árvores

Você já deve ter reparado que plantas como bromélias e orquídeas gostam de se desenvolver sobre os troncos das árvores. Ali elas se instalam e se proliferam com uma facilidade impressionante, o que às vezes pode sugerir uma relação de parasitismo, quando uma espécie retira os nutrientes de outra e acaba matando seu hospedeiro.

Não neste caso. Como na Porta do Sol é muito fácil observar esta situação, o biólogo e encarregado do departamento de Meio Ambiente da Apaps, Maurício Sanches, explica que “bromélia e orquídeas são plantas epífitas, ou seja, em pelo menos um estágio de sua vida utilizam do suporte de outras para se desenvolverem. Essa adaptação é necessária para obterem a luz do sol. Suas raízes são dispostas de maneira externa para captação da umidade presente do ambiente e também nutrientes necessários à sua sobrevivência”. De acordo com ele, essa relação ecológica é denominada inquilinismo ou comensalismo, “o que significa que apenas uma espécie de se beneficia dessa interação e a outra não é nem prejudicada”.

Plantas inquilinas em floresta tropical

Florestas tropicais

Existem diversas espécies de plantas epífitas no planeta. Elas são encontradas, em sua grande maioria, em florestas tropicais úmidas, em especial as Florestas Neotropicais, sendo raras em ambientes com temperaturas baixas. Alguns autores estimam que 29000 espécies, cerca de 10% do total de plantas vasculares, apresentam esse hábito de vida, e grande parte delas são angiospermas.

O grupo de angiospermas que mais apresenta plantas epífitas é o das monocotiledôneas, com destaque para a família Orchidaceae (orquídeas) e Bromeliaceae (bromélias). Além das angiospermas, as pteridófitas também possuem grande número de representantes com hábito epífito, como é o caso das samambaias. “Há também as hemiepífitas, que se caracterizam por ter uma parte de seu desenvolvimento como epífitas, como por exemplo, as figueiras e ficus em geral”, acrescenta Maurício.

Samambaias também são epífitas.

 Morfologia

Para se fixar em outro vegetal, as plantas epífitas apresentam algumas importantes adaptações morfológicas, fisiológicas, anatômicas e até mesmo ecológicas. Entre as principais adaptações, podemos citar raízes aéreas que absorvem água e nutrientes, órgãos, além da folha, capazes de realizar fotossíntese, presença de tecidos que acumulam água (tecidos aquíferos), tricomas que ajudam na captação de água e associação com formigas – quando a planta fornece abrigo, e os animais, nutrientes provenientes das excretas e dejetos dos formigueiros.

Papel Ecológico

As plantas epífitas também apresentam papel ecológico, sendo essenciais no fornecimento de alimento e água para espécies que vivem nas partes altas da floresta, além de proporcionarem material para a confecção dos ninhos. Essas espécies também atuam na ciclagem de minerais e na produtividade primária.

Bromélias

É importante frisar que as epífitas, por possuírem dependência mecânica das árvores, são diretamente afetadas pela destruição das áreas de floresta. Isso acontece porque, ao destruir essas áreas, as plantas ficam submetidas a uma maior radiação e temperatura, além da redução da umidade. Diante dessas características, muitos autores consideram as plantas epífitas como bioindicadores da destruição das florestas.

Por Marília Heymer 

 

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