Musicoterapia, um remédio para o corpo e para a alma – Residencial Porta do Sol

Musicoterapia, um remédio para o corpo e para a alma

Entenda os benefícios do tratamento poderoso para tratar males que vão da dor à depressão

Música para rezar, curar e memorizar. Para comunicar as emoções que não conseguimos transmitir só por meio de palavras. E música simplesmente para ouvir e curtir. A música está presente em todas as sociedades do mundo, dos aborígines australianos aos esquimós no Alasca. Ela está conosco desde quando ainda nem éramos seres humanos propriamente ditos. Com base no achado de flautas de ossos feitas há 53 mil anos pelos neandertais, pesquisadores estimam que a atividade musical deve ter pelo menos 200 mil anos – contra 100 mil anos de vida do Homo sapiens.

No entanto, entre tantas funções que a música pode assumir, uma das mais intrigantes é certamente seu uso medicinal. Como explicar pesquisas com pacientes com mal de Parkinson ou Alzheimer e vítimas de derrame que só melhoram escutando música? Em seu livro “Tempo de Despertar”, que também foi adaptado para o cinema, o neurologista Oliver Sacks mostra uma paciente com Parkinson que durante as crises ficava paralisada, rangendo os dentes e sofrendo muito, e que só se acalmava quando ouvia música. Infelizmente o remédio é temporário, mas mostra que a música pode vencer os sintomas ao transportar o cérebro para um nível de integração acima do normal. Ela nos tira de hábitos mentais congelados e faz a mente se movimentar como habitualmente não é capaz.

A música está presente em nosso cotidiano desde sempre

Potencial

Experimentos mundo afora vêm testando e reconhecendo o poder terapêutico das melodias para enfrentar os males que abalam a mente e também o corpo. Além de fazer parte da nossa rotina, o potencial terapêutico de sons e canções é tão alto que hoje a musicoterapia é uma atividade clínica regulamentada na área da saúde. O trabalho é feito a partir dos efeitos causados no corpo pelas ondas sonoras e pelas associações mentais provocadas pelas canções.

Música como estímulo e para aliviar a dor

A musicoterapia é reconhecida pelo Código Brasileiro das Ocupações desde 1972, quando surgiu o primeiro curso de graduação na área em nosso país. Há, inclusive, uma data nacional para comemorar o Dia do Musicoterapeuta: 15 de setembro. Desde janeiro de 2017, o Ministério da Saúde passou a oferecer musicoterapia gratuitamente por meio do SUS como prática integrativa. Por se tratar de uma prática clínica que associa saúde e arte, a graduação ou especialização em musicoterapia costuma ser oferecida em escolas de arte, uma vez que o profissional precisa ter domínio de instrumentos musicais para exercer a profissão.

Como funciona

Quando estamos cantando, tocando um instrumento ou simplesmente ouvindo uma música, a região do cérebro responsável pelas emoções e comportamentos sociais são ativadas. Isso aumenta a produção de endorfina, substância produzida pelo corpo que gera sensação de prazer, o que auxilia no tratamento da depressão, do estresse e da ansiedade. Além disso, a música também ativa o hipocampo, estrutura do cérebro responsável pela memória, o que a torna grande aliada no tratamento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

Mesa lira

Uma ferramenta muito utilizada na musicoterapia é a mesa lira (monochord table), uma grande caixa com 42 cordas de aço, geralmente afinada em ré, na qual o paciente se deita. Essa caixa é capaz de aliviar tensões e causar a sensação de relaxamento profundo, sendo utilizada no tratamento de enfermidades. Já nas sessões com crianças autistas, é comum que o musicoterapeuta toque instrumentos em conjunto com os pequenos.

Indicações

Basicamente qualquer pessoa pode ser beneficiada pela musicoterapia. Desde quem procura apenas aliviar a tensão do dia a dia a pessoas com enfermidades mais graves, a prática é uma importante aliada na recuperação e manutenção da saúde. Em gestantes, por exemplo, ela é indicada para o fortalecimento do vínculo entre a mãe e o bebê. Também pode ser utilizada no tratamento de doenças como a depressão pós-parto e no restabelecimento de traumas. Em pessoas idosas, é empregada como medida preventiva para manter as funções cognitivas e motoras, como a fala, a memória e o bom funcionamento do corpo, além de trabalhar o lado emocional e social.

Musicoterapia em grupo

Além disso, a terapia musical também é utilizada no tratamento de pacientes com doenças cardíacas, como a Doença Arterial Coronária, depressão, demência, amnésia, afasia, autismo e pessoas que sofreram um AVC. E como se não bastasse é recomendada na reabilitação de dependentes químicos, reintegração de menores infratores e no auxílio de estudantes com dificuldades de aprendizado.

Benefícios da Musicoterapia

  • Estímulo do bom humor;
  • Redução do estresse;
  • Alívio de crises de ansiedade;
  • Melhora da expressão corporal;
  • Controle da pressão arterial;
  • Aumento da capacidade respiratória;
  • Alívio de dores de cabeça;
  • Estímulo da coordenação motora;
  • Auxílio na tolerância de dores crônicas;
  • Auxílio na tolerância ao tratamento contra o câncer;
  • Apoio ao tratamento de doenças neuropsiquiátricas;
  • Melhora nos distúrbios comportamentais;
  • Redução do risco de complicações cardíacas;
  • Melhora na qualidade de vida.

Por Marília Heymer 

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