Machado de Assis, a rua de Bentinho e Capitu – Residencial Porta do Sol

Machado de Assis, a rua de Bentinho e Capitu

Genialidade
Sua obra magistral o coloca como um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa e, para muitos críticos internacionais, como um dos grandes gênios da história da literatura mundial, ao lado de expoentes como Dante, Shakespeare e Camões.

 

Machado de Assis, o Bruxo do Cosme Velho

Rua Machado de Assis, no Setor Verde do Residencial

Nesta semana vamos falar do grande Machado de Assis, autor de Dom Casmurro e de outras vigorosas obras da literatura brasileira. Como tantas outras personalidades, ele empresta seu nome a uma importante rua no Setor Verde do Residencial. Com mais de um quilômetro de extensão, ela começa numa bifurcação da Avenida do Sol II e termina na Gonçalves Dias, mais precisamente no trecho chamado de “Transamazônica”.

Machado de Assis (Joaquim Maria Machado de Assis), jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839 e faleceu também no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908. É o fundador da cadeira nº 23 da Academia Brasileira de Letras (ABL). Velho amigo e admirador de José de Alencar, que morrera cerca de vinte anos antes da fundação da ABL, era natural que Machado escolhesse o nome do autor de O Guarani para seu patrono. Ocupou por mais de dez anos a presidência da Academia, que passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.

Filho do pintor e dourador Francisco José de Assis e da açoriana Maria Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo e pouco se conhece de sua infância e início da adolescência. De pele escura, muitas vezes foi retratado por alguns historiadores como um homem branco. Outros atestam sua negritude e denunciam que a elite “europeia” investiu no “branqueamento” do escritor.

Carioca, morou durante muitos anos na Rua Cosme Velho, no bairro de mesmo nome, no Rio de Janeiro. Diz a lenda que ele queimou várias cartas em um caldeirão no sobrado situado nesse endereço, fazendo a vizinhança o chamar de “O Bruxo do Cosme Velho” – alcunha que só se popularizou quando o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu “A um bruxo, com amor”, no qual reverencia a vida e a obra de Machado de Assis.

Foi criado no Morro do Livramento. Sem meios para cursos regulares, estudou como pôde e, em 1854, com 15 anos incompletos, publicou o primeiro trabalho literário, o soneto “À Ilma. Sra. D.P.J.A.”, no Periódico dos Pobres, número datado de 3 de outubro de 1854. Em 1856, entrou para a Imprensa Nacional como aprendiz de tipógrafo, e lá conheceu Manuel Antônio de Almeida, que se tornou seu protetor. Em 1858 era revisor e colaborador no Correio Mercantil e, em 1860, a convite de Quintino Bocaiúva, passou a pertencer à redação do Diário do Rio de Janeiro.

O primeiro livro publicado por Machado de Assis foi a tradução de “Queda que as mulheres têm para os tolos” (1861), publicado originalmente em francês por Victor Hénaux. Em 1862, era censor teatral, cargo não remunerado, mas que lhe dava ingresso livre nos teatros. Começou a colaborar em O Futuro, órgão dirigido por Faustino Xavier de Novais, irmão de sua futura esposa. Seu primeiro livro de poesias, Crisálidas, saiu em 1864. Em 1867, foi nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial. Em agosto de 1869, morreu Faustino Xavier de Novais e, menos de três meses depois (12 de novembro de 1869), Machado de Assis se casou com a irmã do amigo, Carolina Augusta Xavier de Novais. Foi companheira perfeita durante 35 anos.

O primeiro romance de Machado, Ressurreição, saiu em 1872. No ano seguinte, o escritor foi nomeado primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, iniciando assim a carreira de burocrata que lhe seria até o fim o meio principal de sobrevivência. Em 1874, O Globo (jornal de Quintino Bocaiúva), publicou em folhetins, o romance A Mão e a Luva”. Intensificou a colaboração em jornais e revistas, como O Cruzeiro, A Estação, Revista Brasileira, escrevendo crônicas, contos, poesia, romances, que iam saindo em folhetins e depois eram publicados em livros. Uma de suas peças, Tu, só tu, puro amor, foi levada à cena no Imperial Teatro Dom Pedro II (junho de 1880), por ocasião das festas organizadas pelo Real Gabinete Português de Leitura para comemorar o tricentenário de Camões. De 1881 a 1897, publicou na Gazeta de Notícias as suas melhores crônicas. Em 1880, o poeta Pedro Luís Pereira de Sousa assumiu o cargo de ministro interino da Agricultura, Comércio e Obras Públicas e convidou Machado de Assis para seu oficial de gabinete (ele já estivera no posto, antes, no gabinete de Manuel Buarque de Macedo). Em 1881 saiu o livro que daria uma nova direção à carreira literária de Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas, que ele publicara em folhetins na Revista Brasileira de 15 de março a 15 de dezembro de 1880.

A obra de Machado de Assis abrange, praticamente, todos os gêneros literários. Na poesia, inicia com o romantismo de Crisálidas (1864) e Falenas (1870), passando pelo Indianismo em Americanas (1875), e o parnasianismo em Ocidentais (1901). Paralelamente, apareciam as coletâneas de Contos fluminenses (1870) e Histórias da meia-noite (1873); os romances Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878), considerados como pertencentes ao seu período romântico.

A partir daí, Machado de Assis entrou na grande fase das obras-primas que fogem a qualquer denominação de escola literária e que o tornaram um dos maiores autores da literatura de língua portuguesa. Para muitos críticos internacionais, é considerado um dos grandes gênios da história da literatura mundial, ao lado de autores como Dante, Shakespeare e Camões.

Bentinho e Capitu

Em 1899 Machado de Assis publica Dom Casmurro, uma das mais belas pérolas da literatura brasileira em todos os tempos. Dom Casmurro é o apelido de Bentinho, narrador e personagem principal que, por meio de uma autobiografia, conta sua história a fim de amenizar a monotonia de um velho homem de poucos amigos e para que, dessa forma, vivesse novamente tudo o que já havia vivido. O autor então conta sua jornada enquanto filho prometido ao seminário, sua paixão pela vizinha, Capitu, e como conseguiu casar-se com ela até o ponto em que se afastam.

A tônica do romance está centrada na desconfiança de Bentinho com Capitu. Um dos motivos mais fortes que levaram Bentinho a se afastar de Capitu foi o fato de ele achar que seu filho, Ezequiel, fosse, na verdade, filho de seu amigo, Escobar, em virtude de uma semelhança na aparência e nos modos de agir.

Várias conjecturas são possíveis nesse clássico romance brasileiro de Machado de Assis: Bentinho pode ter razão em suas desconfianças, assim como Capitu pode não ter traído Bentinho. As circunstâncias apresentadas no romance não são capazes de confirmar nada, pois se trata de uma história contada pelo próprio personagem: não há outro ponto de vista que não o do próprio Bentinho.

Saiba muito mais sobre Machado de Assis

 

Ilustres Moradores

Neto, Rosa Maria, Cesar Augusto e Paulo Aquate

 

Tem casa que tem cheiro de colo de Deus.  De sol quando acorda.  De flor quando ri.  Dentro delas a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso, sem relógio e sem agenda. Tem casa que tem cheiro de passarinho quando canta, de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.  Dentro delas, a gente sabe que os anjos existem, dizem os aromas de frutas cítricas, os melhores purificadores de ambiente. Tem casa que tem cheiro de estrelas que Deus acendeu ao céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Dentro delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza, dizem os aromas de flores, cálidos e suaves. Nesse campo, a rainha é a rosa e o rei é o jasmim, que liberam bloqueios, elevam a autoestima e, de quebra, são afrodisíacos”.

Com esse texto, uma adaptação da obra da poetiza Ana Jácomo (Almas Perfumadas), o analista de sistemas Antônio Neto e a pedagoga Rosa Maria deixam transparecer o carinho que sentem pela casa da Rua Machado de Assis, no Setor Verde do Residencial. O casal batizou o lugar como Casa Flamboyant e a associa à canção Casa no Campo, de Zé Rodrix e Tavito, imortalizada por Elis Regina: “Eu quero uma casa no campo onde eu possa ficar no tamanho da paz”.

Se encantaram com o que viram e adquiriram a propriedade em 2002, quando ali não havia calçamento e nem iluminação. Um ano depois começaram a construir e em 2006 a casa estava concluída. Neto esclarece que o conceito da casa privilegia o convívio coletivo, um espaço para abraçar a família e os amigos. A construção valorizou as pedras, que são recursos naturais da região e que foram utilizadas na decoração e nos acabamentos de revestimentos. Uma segunda edificação, próxima à principal, abriga a moradia dos caseiros – Adelson – Rose e a filha Rafaela. O quintal reserva um espaço para o campinho de futebol, horta e canil. Enfim, tanto Rosa Maria como Neto explicam que o projeto paisagístico foi escolhido a dedo, dentro de uma estratégia para atrair os pássaros típicos da região, tico-ticos, sabiá, tucanos e outros animais silvestres como quatis, gambás, saguis e esquilos entre muitos outros.

O convívio no recanto da Machado de Assis, inclui a presença alegre de Leão e Pipoca, os cachorros dos caseiros. Neto e Rosa Maria já tiveram os seus fiéis amigos de quatro patas que não estão mais entre eles. No entender de Rosa Maria, “temos uma crença de que numa casa, junto à família, precisamos de um conjunto de quatro patas, um rabo feliz, orelhas pequenas ou grandes, moles ou empinadas, curtas ou caídas, que é a medida de um amor indescritível quando chamamos pelo nome, Mel, Lilica, Chumbinho”.

De volta a 2002, Neto e Rosa Maria revelam o que mais queriam e encontraram na Porta do Sol: apenas um torrão onde o filho César Augusto, então com 4 anos, pudesse crescer e se desenvolver em meio à natureza, enquanto brincava de soltar pipa, nadar, pular corda, andar de bicicleta, caça ao tesouro, bolinha de gude e esconde-esconde. Rosa Maria conta que a ideia era preparar uma estrutura lúdica para que o filho viesse a ter memórias afetivas de sua infância, por toda sua vida. Ali, na Casa Flamboyant, César Augusto tem a oportunidade, sempre que dá certo, de desfrutar da convivência com seus irmãos Fernando e Marisa Peres, com a família toda reunida.

Em tempo, complementa que a casa da Machado de Assis também contemplava muito do que ela e o esposo sentiam falta no bairro Perdizes, Zona Oeste da Capital, onde moram até hoje. Agora ela sabe que é muito relaxante o contato com a natureza, o barulhinho da cascata da piscina, do vento passando pelas folhas e o canto dos pássaros. Pelo menos nos finais de semana e feriados prolongados ambos podem desfrutar de tudo isso.

Neto, por sua vez, aprendeu a apreciar as coisas boas reservadas aos porta-solenses. Tomar sol, preparar um churrasco, bater papo com os amigos, fazer um café, ler um bom livro ao redor de uma lareira e, à noite, tomar um vinho enquanto aprecia a lua e namora sua companheira.

Além das dádivas naturais, Neto e Rosa Maria encontraram na Porta do Sol o refúgio ideal encravado num ponto equidistante da Castelo Branco entre São Paulo onde trabalham e Sorocaba, cidade natal do marido. No ano que vem, 2022, quando todos esperam que já estejamos às voltas com o novo normal, eles preparam uma grande festa para comemorar os 20 anos da Casa Flamboyant. Enquanto isso, o casal, o filho Cesar Augusto e o pai de Rosa Maria, Paulo Aquate, de 97 anos, continuam marcando presença no Residencial sempre que possível.

Rosa Maria, com muita inspiração, revela com brilho nos olhos que “estamos preparando e adaptando a casa para nós, pois o tempo chega para todos, felizmente. E queremos ressignificar as memórias afetivas para os netos que já chegaram. Estamos esperando   por mais, e se Deus quiser, vão amar a nossa casa. Você pode percorrer o mundo inteiro em busca daquilo que deseja, mas é dentro da sua casa que encontrará o que procura”.

 

Galeria de fotos

Por Marcos Capitão

 

 

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