Carlos de Laet, um poeta, mestre e jornalista carioca

Professor de português, trabalhou em diversos jornais e deixou uma vasta produção de páginas sobre arte, história, literatura, poesia e crítica de costumes.

Rua Carlos de Laet

Carlos de Laet, que empresta seu nome a uma rua da Porta do Sol, foi um poeta, professor e jornalista carioca. Nesta semana, a seção Minha Rua com Arte, apresenta esse personagem à comunidade porta-solense. A Rua Carlos de Laet, no Setor Azul do Residencial, cercada de muita vegetação, tem cerca de 700 metros de comprimento, começa na Álvares de Azevedo e termina numa rotatória sem saída.

Biografia

Carlos Maximiliano Pimenta de Laet, jornalista, professor e poeta brasileiro, nasceu no Rio de Janeiro em 3 de outubro de 1847 e faleceu também no Rio de Janeiro em 7 de dezembro de 1927. Filho de Joaquim Ferreira Pimenta de Laet e Emília Ferreira de Laet, aos 14 anos de idade matriculou-se no primeiro ano do Colégio Pedro II. Laureado bacharel em Letras, matriculou-se na Escola Central, atual Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Formado em engenharia, não quis seguir a carreira, preferindo voltar-se para o magistério e o jornalismo. Em 1873 fez concurso para o Colégio Pedro II para a cadeira de português, geografia e aritmética, disciplinas que formavam o primeiro ano do curso. Em 1915, com a reforma da instrução secundária, foi então nomeado professor de língua portuguesa.

Carlos de Laet

Por um momento, deixou-se seduzir pela política. Em 1889 seus amigos monarquistas insistiram com ele para aceitar uma cadeira de deputado. Eleito, a Proclamação da República privou-o da cadeira. Manteve-se monarquista e fiel ao culto de D. Pedro II. Proclamada a República, pediu para o Governo Provisório extinguir quaisquer reminiscências do antigo regime, e uma das medidas que tomou foi substituir o nome do Colégio Pedro II pelo de Instituto Nacional de Instrução Secundária.

Na sessão da congregação do educandário de 2 de maio de 1890, Laet pediu que fosse feito um apelo ao governo republicano para conservar-se o nome antigo do estabelecimento. Porém, a grande maioria dos professores era então republicana. No dia seguinte, o Diário Oficial trazia a demissão de Carlos de Laet. Pouco depois, Benjamin Constant, o primeiro ministro da Educação do novo governo, conseguia transformar o ato de demissão em aposentadoria. Só no governo de Venceslau Brás foi ele reconduzido ao seu posto no magistério secundário.

Carlos de Laet exerceu, desde então, até aposentar-se, em 1925, o seu cargo de professor, sendo também, durante longos anos, diretor do Internato Pedro II. Foi professor do Externato de São Bento e do Seminário de São José, entre outros estabelecimentos de ensino particular.

Laet ministrou aulas no tradicional Colégio Pedro II

No jornalismo, estreou no Diário do Rio em 1876, passando em 1878 para o Jornal do Commercio, onde durante dez anos escreveu os textos do seu “Microcosmo”. Trabalhou também como redator e colaborador na Tribuna Liberal, no Jornal do Brasil e no Jornal do Commercio de São Paulo, nos quais deixou uma vasta produção de páginas sobre arte, história, literatura, críticas de poesia e de costumes. Também se encontra colaboração da sua autoria na revista Atlântida (1915-1920).

Por suas convicções monarquistas sofreu perseguição também em 1893, por ocasião da Revolta da Armada. Orgulhava-se de não ter embainhado “o pedaço da espada que me quebraram em 89”. No entanto, teria sido mais cômodo aderir ao novo regime. Mesmo porque à República só poderia ser grato e proveitoso o apoio de um homem como ele. O jornalista refugiou-se então em São João del-Rei, onde se dedicou a escrever o livro “Em Minas”. Católico fervoroso, serviu à Igreja no Brasil, como presidente do Círculo Católico da Mocidade, sendo-lhe conferido pelo Vaticano o título de Conde.

 

 

Principais obras

Poesias (1873);

Em Minas (1894);

Antologia nacional, em colaboração com Fausto Barreto (1895);

A descoberta do Brasil (1900);

Heresia protestante, polêmica com o pastor Álvaro Reis (1907);

Conferência sobre a imprensa, publicada na Década republicana, vol. II;

Obra jornalística avulsa publicada na Revista da Cultura.

Obras seletas:

I Crônicas;

II Polêmicas;

III Discursos e conferências.

Soneto

Quando um anjo de espada rutilante
Deus pôs no limiar do Paraíso,
Teve entre as justas iras doce aviso
Para o triste casal, proscrito, errante…
— Voltarei, disse, e todo par constante
Num amor impoluto, casto e liso…
E agasalhou, com paternal sorriso
Laura e Petrarca, Beatriz e Dante
Com “pensamentos idos e vividos”,
Terminada a labuta peregrina,
Surgem mais dois, mãos dadas, sempre unidos
Batem à porta da mansão divina:
— Somos nós! somos nós os foragidos…
Sou Machado de Assis!   É Carolina.

 

Ilustres Moradores

Bonitão, Márcia, Walter e Nina

A chácara espaçosa na rua Carlos de Laet já foi mais cheia de gente, bons tempos em que contavam com a presença da filha dela, Marília Gabriela e dos filhos dele, Ricardo, Eduardo e André. Hoje, o engenheiro Walter Ortega e a advogada Márcia Ortega ficaram sozinhos depois que Marília Gabriela foi estudar e morar na França, Ricardo foi trabalhar na Alemanha, Eduardo mudou para os Estados Unidos e André para Curitiba. O convívio familiar presencial, de qualquer forma, deu lugar às conversas pelo telefone e pela Internet, recursos que aproximam todos e ajudam a matar a saudade.

Walter e Márcia, na companhia de Bonitão, um respeitável boxer, de Nina, uma amorosa border collie e dos gatos Frederico e Frederica, jamais se sentem sozinhos. Além dos cachorros e dos gatos, o casal ainda convive com galos, galinhas, patos, coelhos e peixes.

Afazeres

Márcia no seu atelier

Quando vieram do bairro de Perdizes, na Capital, para morar na Porta do Sol, em 2004, os dois criaram uma estrutura e adotaram tarefas domésticas que impedem a proliferação da “falta do que fazer”. Márcia tem uma casa grande para cuidar e, como se não bastasse, acha tempo para pintar quadros e produzir artesanato de madeira. Toda a residência é decorada com os trabalhos artísticos da dona de casa. Ela costuma expor seus trabalhos nas feiras e demais eventos realizados no Clube do Residencial.

O marido, por sua vez, entretido com seus afazeres, avalia que a jornada de 24 horas é curta para que possa cumprir todas suas tarefas. Afirma que seu dia a dia na chácara em tempos de confinamento, por conta da pandemia, é o mesmo de antes. Não vejo o tempo passar e não sobra tempo para coisas que não interessam, afirma.

O engenheiro na sua oficina

De fato, precisa cuidar da horta e do pomar, alimentar os animais, colher ovos, consertar a cerca do galinheiro e limpar o tanque de carpas que ele construiu no fundo do quintal. Boa parte da água utilizada no viveiro de peixes, assim como na piscina, provém do sistema de captação das águas das chuvas, criado por ele. O precioso líquido que escorre do telhado da residência é todo armazenado em um reservatório de 5 mil litros e serve, também, para regar a horta, lavar o quintal e, até, para beber. Para se entreter com trabalhos manuais, o engenheiro montou uma pequena oficina em um cômodo no quintal.

Chocadeira e bonsai

As tarefas de Walter e Márcia não param por aí. Ambos não podem descuidar dos ovos de galinha que estão prestes a eclodir na chocadeira elétrica. O dia está no fim e a dupla precisa reservar um tempo para cuidar das orquídeas e dos bonsais, afinal essas plantas estão sempre carentes de água, vitamina, enxerto e poda. Antes da pandemia, Walter fazia parte do Clube de Observadores de Aves da Porta do Sol (Coaps). Está aguardando a volta do “novo normal” para retomar essa atividade nos finais de semana, junto com todos os integrantes do grupo.

Walter ainda acha tempo para praticar seu esporte predileto, andar de bicicleta. Com o tempo bom, ele pedala nas ruas do Residencial e até percorre, semanalmente, uns bons quilômetros da Rodovia Castelo Branco. Anualmente, visita o filho nos Estados Unidos e aproveita para participar do passeio ciclístico de 250 quilômetros entre Miami e Key West, no estado da Flórida. Ele conta que consegue cumprir esse trajeto em três dias.

Dona Helena, Walter e Márcia: torresmo na mesa

Boa vizinhança

Os donos da casa são unânimes em afirmar que a rua Carlos de Laet é generosa em proporcionar uma convivência harmoniosa com os demais moradores. Quando fala da vizinhança, o casal se derrete ao falar da amizade com dona Helena Pereira da Fonseca e o marido, Joaquim Aparecido de Almeida, que residem na casa em frente.

Dona Helena é estilista, mas para Walter e Márcia, sua qualidade principal é o dote culinário. As duas famílias se reúnem, invariavelmente, aos sábados para colocar a conversa em dia e degustar o torresmo pururuca ou qualquer outra iguaria preparada por ela. Essa nossa relação não tem preço, testemunha Dona Helena.

Por Marcos Capitão

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